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PEGADAS DIGITAIS

Alguns anos atrás conheci um dos meus melhores amigos através do mIRC: Internet Relay Chat client. Confesso que ainda estava um pouco ingénua em relação ao mundo virtual, e arrisquei-me um pouco, mas com a perfeita noção de que mesmo colocando ‘um pé no escuro’, estava sempre a prezar pela minha privacidade, pois usava um nickname que revelasse um pouco de mim, mas não tudo. Era muito contida na informação que dava na plataforma mIRC. Eu lembro-me de pensar na altura, que eu tinha tudo sob o meu controlo, mal eu sabia que aquela realidade virtual, era só a ponta do iceberg. Entretanto fiz boas amizades, posso dizer que fiquei a ganhar com essa nova realidade, à qual estávamos todos ainda a habituar. Nunca tive um computador Desktop, nem portátil, não havia condições financeiras para isso, porém quando se junta a fome com a vontade de comer, arranjei solução para continuar na descoberta daquele mundo fascinante Online ‘On-The-Line’. Ia ao Pelouro da Juventude ou Camara Municipal de Barcelos ou Biblioteca, e ali entregava o meu documento de identidade, para ter acesso de uma hora ou duas horas a usar o computador e assim continuar a descoberta de novos horizontes com novos internautas, e optei pelo HI5, ainda cheguei a namorar através dessa plataforma, que já se chamava de Rede Social, pois ali no HI5 já se usava fotografias e mais informação a nosso respeito, como forma de identificação e distinção entre nós e o vizinho do lado, talvez tenha sido essa a minha primeira pegada digital, pois ainda hoje está disponível alguma info acerca a minha temporada a utilizar o HI5. Eu gosto de cantar e fui angariando alguns fãs no meu grupo de conhecidos e amigos e até desconhecidos também, e estes insistiam para eu aderir ao YouTube. Bom, e assim o fiz, recordo-me que aquele era um mundo novo que me abria as portas para um público mais direcionado ao mundo da música ou a simples curiosos. Lembro-me de ter pensado que estava a perder o controlo que tanto me aprazia manter nas outras plataformas até então. Mas a sede de saber mais, e de descobrir muito mais, e tentar perceber até onde me levaria aquele mundo novo, continuei e fechei os olhos, e lancei-me no escuro , não com um pé, mas com os dois pés desta vez. É tão curioso descobrir que, em pleno ano 2019, na plataforma de busca Google, o meu nome consta em vários sites de música, com milhares de downloads efetuados por desconhecidos no mundo inteiro, da minha voz, em modo mp3, mp4, etc; Agora, penso, «É um Deus nos Acuda, pois perdi o controlo para sempre, a internet engoliu-me por inteira, até aqui era só uma parte ínfima de mim». Decidi abrir um blogue na plataforma Blogger em outubro 2008, e funciona como um diário no qual faço as minhas homenagens aos meus artistas favoritos, filmes, canções, autores, e livros favoritos, e entrevistas que eu dei enquanto cantora, e as fotografias dos festivais de música que fotografei enquanto fotojornalista, e muitas mais coisinhas boas e menos boas, memórias que me fazem sorrir, e outras que me fazem chorar, mas que me recordam pelo que passei na vida, e como cheguei até aqui à pessoa que sou hoje, com orgulho. Se me perguntarem se eu faria tudo igual, se a minha pegada ou pegadas digitais (porque já não é só uma ou duas) pudessem ser apagadas permanentemente, se eu apagaria, e eu por vezes penso que sim, mas outras vezes assumo para mim mesma que foi melhor assim. O mundo conhece a minha voz, o meu rosto está estampado em muitos sites na internet, já tive alguns dissabores por causa disso, já fui rejeitada num emprego devido a ter uma presença acentuada online. A falha de comunicação na Era da Comunicação, dá lugar a vároias ramificações de mal-entendidos, por exemplo, as frases/citações que se publicam em posts nas redes sociais, espoletam mal-entendidos, e a falha de comunicação posterior, pode ser muito prejudicial a vários níveis (social, profissional). E devo admitir, que cancelei o meu Facebook, Twitter, Tumblr, Google+, como forma de evitar visitantes indesejados, que os há, e eu, infelizmente, fui vítima de stalking por parte de alguns internautas indesejados. Stalking é um dos males do mundo virtual. Hoje em dia só tenho o blogue, e instagram, e como escudo de proteção, optei por alterar o meu nome online (nickname) e endereço do blogue, várias vezes ao longo dos meus 38 anos de idade, pois prefiro não ser facilmente detetável por uma possível entidade patronal, ou visitantes indesejados, e evitar assim ser vigiada ou observada por olhos que me podem prejudicar de uma forma ou de outra. Eu uso o blogue e instagram como veículo de expor a minha opinião ou angariar algum tipo de ajuda para várias organizações ajuda a crianças (Unicef, Save the Children, etc;). Sinto que tenho boas pegadas digitais, e por vezes abandono a internet durante um mês ou dois meses, para sentir que ainda consigo ter controlo sob o meu cérebro, e que consigo estar sem olhar para o ecrã do telemóvel a ver notificações, ou comentários no blogue, mensagens chat, etc; Desde de manhã à noite, eu não abro mão de ter música na aplicação App música Youtube com as minhas playlists, para eu cantarolar e dançar enquanto faço as minhas tarefas diárias em casa e quando vou ao parque fazer ginástica ou vou no autocarro. E gosto de saber que consigo apreciar um cair de uma folha da árvore, um pombo na rua à procura de uma migalha, ou como o vento abana as árvores em dias ventosos, e as ondas do mar calmo ou zangado, um sorriso de uma criança que vai no autocarro no colo de sua mãe. Aprecio os detalhes mais belos e significativos da vida e consigo estar offline e ver um bom filme e estar online e não permitir que isso me controle a mim. Defini prioridades na minha vida. Menos é mais. Menos quantidade, e mais qualidade, e por isso sigo no Instagram, pessoas e causas nobres e interessantes, e que me ensinem algo de novo e aprazível, e quem me segue no instagram e blogue, pode se sentir também satisfeito, pois também sei que posso ensinar coisas boas, muito boas, bons filmes, bons livros, e boa música, e uma boa conversa. Gosto de estar online, mas já não me sinto tão deslumbrada, como me sentia outrora. A vida offline tem mais interesse para mim.
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